17 janeiro 2009

Um Sereno e Amável Olhar

Um Sereno e Amável Olhar


Aqueles olhos,
Aquele olhar,
Tão transparente
Olhos feitos de vidro

Janelas curiosas
Pares indecisos
Fitam o mundo
À sua maneira

No seu tempo
Na sua vontade
No seu horizonte
À sua maneira otimista

De encarar e ser encarada
De viver e ser vivenciada
E sem querer esconder o seu interior...
Você diz, me decifre

E eu curioso, incentivado
Busquei dentro do teu olhar
A resposta que saciaria tudo o que eu gostaria,
E que era...

Te dizer...
Que desde o encontro dos olhares
O que eu procurei,
O que eu sempre procurei

Foi o seu sereno e amável olhar...


Magno Pinheiro

16 janeiro 2009

Você já...

Você já...

Você já teve a sensação
De andar a sua volta
E se perder em um caminho
Que você mesmo criou ?

Você já sorriu para o espelho
Esperando que aquele sorriso
Fosse compreendido por um outro alguém
E que ele eternamente não viesse a acabar ?

Você já mentiu para sí mesmo
Esperando que os seus sentimentos
Se esquivassem daquilo que você nunca
Mas, nunca desejou sentir ?

Tudo bem, estamos vivos
Não adiantaria negar
Todos já passamos por isso
E nem por isso vivos deixamos de ficar

Você alguma vez já teve a sensação
De acordar sozinho, no escuro de sua mente
E procurou no seu íntimo, a luz
Que a escuridão viria a afastar ?

Você alguma vez já se esqueceu de chorar
Quando percebeu que naquele momento
Tudo o que você precisava era lavar
A cena que os seus olhos não quiseram acreditar ?

Você já olhou para o céu
E percebeu que naquele mesmo céu
O seu outro olhar, um passado olhar
Ainda estaria lá, te esperando retornar ?

Tudo bem, estamos vivos
Não adiantaria negar
Todos já passamos por isso
E nem por isso vivos deixamos de ficar.


Você já...?


Magno Pinheiro

15 janeiro 2009

Coração

Coração


Caminhe para perto do meu peito
Pelo rio vermelho, vitalício,
Rubra vestimenta que adorna as paredes
Fendas por onde se estendem a sua passeata

De importante valor, caminho sem dor
Atino vertiginoso, apertado
Aquecido, acalentado, onde te acalmo
E te vejo por dentro, a velejar

No espaço que fazes de teu espaço
Mapeado pelo desejo de encontrar
Aquele cantinho, teu tesouro
De maior valor que o ouro

Possa algum dia imaginar,
Onde virá a roubar,
O que sempre foi teu
Teu presente, teu bem querer

A tua metade, a sua verdade
A nossa verdade, em uníssono
Ao teu lado bater e proclamar
Coração...Coração...Coração...


Magno Pinheiro

13 janeiro 2009

Veja a noite

Veja a noite


Veja a noite...
Uma beleza negra, auspiciosa
Que caminha por entre dois horizontes
Ostentando um véu de mistérios

Nunca antes sonhados,
Mas imaginados por aqueles
Que se inclinaram a sua beleza
Ao teu reino que pernamece por horas

Escondidas do dia,
Nas horas trançadas
Na metade dos retalhos
Que formam ao longe teu pedaço

De paraíso, velado por uma luz
Pálida luz, que prateia o meu caminho
Que não seria outro, se não te venerar
Eternamente te venerar...

Mesmo ao longe,
A Dama de preto, com o seu sorriso
Só quer me presentear
Veja a noite...


Magno Pinheiro

04 janeiro 2009

Partiu, de mim...

Partiu, de mim...


Ah, como era bom cantar
Pro passado esquecer
E ver o céu brilhar
Bem longe do viver

De histórias que herdei
Poemas que escrevi
Cantei só por cantar
Pra não perder de vez

Aquele teu olhar
Que ao longe fui buscar
Por ter o amor,
Que não sonhei

Vivi assim,
Ao colo teu
Foi bom te ter
Tão doce em mim

Meu céu, meu mar
Criaste em mim
O ardor do amor
Que logo mais

Partiu, de mim...


Magno Pinheiro

18 dezembro 2008

Sinta...

Sinta...


Sinta, o que eu sinto
Quando eu me encareço pelo teu toque
Sempre buscando o teu regorjeio, teu canto
Que desperta aquele instinto

Tão vivo...o meu coletivo insano,
Minha coleção de desejos,
Trancados por uma cela feita de quatro cantos,
Aonde o meu corpo tão egoísta e faminto

Te deseja intensamente, e deseja se fechar
Somente...somente em você...percorrendo, deslizando
Vagueando pelas tuas partes tão quentes
Tão íntimas, tão minhas, no meu egoísmo

Que me dilacera a alma em um devaneio,
Que me incendeia, que me encandeia
Por saber que o que me motiva
É saber que o teu corpo, pertence ao meu...


Magno Pinheiro

15 dezembro 2008

Liberdade

Liberdade


Eu gostaria de poder velejar pelo mar
E prensar a minha sombra contra as nuvens
Moldar o meu universo de idéias,
E me deixar levar, por onde o vento quisesse me guiar

Tão solto, viajando por correntes
E por correntes caminhar, para onde o seu elo
Me levasse, àqueles que na mesma corrente
Viessem a buscar, liberdade, liberdade...

Que o corpo busca, sede insaciável
Fome insaciável, um corpo sem asas
Um caminho para o paraíso, o eterno...
Desejo de voar ao lado de tuas asas

Formando um vasto corpo, um vasto...
Corpo de andarilhos do ar
Andarilhos que vão e que vem
Sem destino certo, a vagar

Pelas linhas do eterno, sem estarem presos
Livres, a busca de respostas, a busca de perguntas
Mas que ao mesmo tempo, livres delas viriam a estar
Livres, como pássaros sem um ninho, livres

Sempre a buscar do néctar da felicidade
Que viria a viciar e momentamente preencher,
E logo mais despertar novamente fome, sede...
Por algo que eternamente vivenciarei

Mesmo com os pés voltados para o céu
Minha morada, e que de cima a abaixo
Viria a te encontrar, sobre os meus olhos
Estendendo as mãos a procura da corrente...

Do elo, que o meu braço viria a se transformar
Quando ao meu lado viestes a ficar
Em busca daquilo que sempre desejamos
E que nunca pararemos de almejar

Liberdade...


Magno Pinheiro

Se eternamente por ti

Se eternamente por ti


Todo corpo feito de pecado,
Molhado, secado, e novamente molhado
Pelo corpo que seca o corpo,
Pelo corpo que molha o corpo

Em eterno alvoroço, em eterno prazer
Dois amantes entrelaçados, ao toque
Ao que é teu, ao que é meu
Ao anoitecer, ao amanhecer

Tempo que aquece e esquece
Onde existe penumbra, sombra
Que perdura, incesantemente
No rastro de luz que o meu olhar alcança

Ao longe e ao mesmo tempo perto
Dos teus olhos, que alcançam o universo
De palavras que só o teu olhar pode passar
Complementando a palavra gêmea

Que desde sempre no meu olhar veio a morar
Sempre a busca daquela metade, tão viva
Mesmo em sonhos, tão viva
E tão viva a morar

No reflexo do meu olhar
Aonde vejo e revejo,
Idealizo, e por ti caio em gracejos
Quando vejo que o pecado seria

Se eternamente por ti
eu não viesse a me apaixonar


Magno Pinheiro

14 dezembro 2008

A quem o desejar...

A quem o desejar...


Minhas palavras não cabem no seu espaço mental
Elas não se retem e transborbam pelos seus olhos...
O transbordar não enche a minha janela
E basta uma palavra uma reles palavra

Para ocupar o meu espaço, meu grandioso espaço
O meu caderno de escritas invisíveis...
Já criou o seu mundo, que não consegue se prender
Nem a paisagem da foto mais linda, que se consome...

Não posso mais te ver
Pois é pequeno por fora
É inexpressivel quando se toca
No momento, no agora, no verbo

Que proferi buscando outro momento
Tão vago, passado, e que enxerguei
Quando procurei pela palavra
Que somente o meu fôlego soube sustentar

No vago espaço do tempo, no meu tempo
Tão pequeno, tão...e só tão...só
Que pendurei uma história nessa janela
Manchada pelo basta que almejei ao olhar

Um quadro de idéias, formas, cores
Maiores e melhores, para mim
Meu egoísmo, que hoje canto
Para a brisa mais suave
...

Levar como despedida

Para quem o desejar...


Magno Pinheiro e Marco Souza

10 dezembro 2008

Moreninha

Moreninha


Moreninha, linda de se ver
Teus olhos são frutos do mais puro desejo
Vivos, marcantes, cambaleantes
De um jeito tão seu

Conduzem para caminhos,
Onde não existe maldade
Pois tu és feita de luz
Que ilumina e transcende

Queima, arde e que de um jeito tão seu
Surpreende, por ser mulher criança
Mulher deusa, mulher que amadurece
O fruto do meu desejo

Aqui no terreno do meu peito,
Vasto campo, teu arrado,
Marcado por você, com tuas passadas
Teu ritmo, flor...

Que guarda junto ao teu perfume,
Junto ao teu cabelo
Com jeito de menina mulher
Que faz da risada marcante

Um canto de veraneio,
Onde alegria, teu recanto
Se transforma na morada daqueles
Que a ti vieram procurar

Tão viva na roda,
Roda da vida não viva
E que saudades vem a deixar,
Quando a tua voz para de ecoar...

No Fundo da roda do meu coração...


Magno Pinheiro

06 dezembro 2008

Foi-se o tempo

Foi-se o tempo


Foi-se o tempo,
Que se deixou levar
Levado, por palavras
Um dia antigo que se passou

No ontem, foi deixado um par...
De idéias, desejos, vontade
Conhecer era o mistério
Mistério que o tempo soube moldar

Com mãos de quem ainda espera encontrar
Respostas, em um toque, em um momento
De desconfiança, cria de um passado incerto
Do que foi resolvido e resolvido deixou de ser

Mas, isso não é certo, ou não seria certo
Dizer que o tempo foi o único a criar
E levar e deixar de formar o que poderia...
Poderia mas não foi, pelo medo de sustentar

Um peso que cansaria o corpo,
Afundaria os passos meio a um sorriso
De quem não sabe se seria certo sorrir
Ou simplesmente vivenciar mergulhado em sentimentos

O que poderia ser, ao lado de dois
Ao lado daquela que poderia ser minha
Minha alegria, minha decepção, meu desejo de criar
Minha palavra, meu abraço, meu afago no peito

Foi-se o tempo, por sermos dois
E no mesmo tempo um tempo em cada tempo
Vivenciado de uma maneira, que quisemos vivenciar
Fugas, desculpas, jogos, tudo o que podia

E o que não podia,
E pelo mesmo motivo
Sem o abraço sincero do outro,
Viemos a ficar

Sem o outro, sozinhos...


Magno Pinheiro

04 dezembro 2008

Medo e Coragem

Medo e Coragem


Tive medo de dizer mentiras,
Tive a coragem para dizer verdades
Em um redemoinho insólito
Minha mente procurou em vão

Situações que poderiam ser
Contadas como linhas enfileiradas
Palavras organizadas, histórias
Livro com cor de vida, saudade

Choro ressentido, que nasceu de um amanhã
Sem um agora, sem nada a contar a mais
Por per sido perdido, por ter se perdido
Em uma confusão que somente eu não poderia sustentar

Com braços frágeis e ressequidos
Pela falta de água que nutria meu corpo
Usada para limpar a estrada que a alma toma
Para a ti chegar, e para ti retornar

Ao menos uma vez, ligeiro, como um pensamento
Que somente o vento entende por ser ligeiro
Desapegado, que vive entre trilhas e esquinas
Caminhos por onde andei, caminho por onde andará

Sem passos fixos, somente saudade
Um ali , um outro ali, e um outro lá
Somente saudades, saudade ligeira
Que passa e não se desgoverna

Nem ao menos titubeia, somente passa,
Nesse redemoinho insólito chamado saudade
Onde ruas possuem nomes, e onde nem ao menos
O meu nome, encontrarei por lá

Tive medo de dizer mentiras,
Tive a coragem de dizer verdades
E mesmo um coração que chora
Não nega...sentir saudades


Magno Pinheiro

03 dezembro 2008

Traços

Traços


E tracejo, por linhas tortuosas
Caminhos, tão longínquos, tão vertiginosos
Que o tempo se distancia do meu espaço
E me faz procurar pelo novo dia

Onde voltei a me perguntar
Se em meu espaço, as horas vieram a contar
Histórias onde tudo era o nada,
E o nada era tudo o que se desejava criar

Fora do esquecer, fora do meu muro
Apelo puro, onde lamentava...um lamento
Que ocupava meu espaço em um abismo
Quadro que esqueci de pintar, sem tinta

Pele seca, sem vida, sem direção
Acima, abaixo, esquerda ou direita
Meros acontecimentos, leves enganos
Aquilo o que foi pensado e dito

Um engano, não seria certo dizer ?
Que tudo o que digo é o que não seria dito
Se meus lábios não selassem o mistério
Que o teu olhar sempre me mostrou

No reflexo que sempre estampou no mar
Refletindo o que tu és, em um momento
Em um mero momento, sem espaço e nem tempo
Aonde fostes, foi, será...mesmo que sem tempo

Espaço que ocupou, mesmo não querendo ocupar
Em um tempo que não saberia contar,
Um vazio, ocupado pelo vazio
No vazio tracejado...

Traços...


Magno Pinheiro

14 novembro 2008

Vulgo Desejo

Vulgo Desejo


Não se afaste mais de mim
Menina, aqui estou, em frente ao teu olhar
Te procurando mesmo em sua frente...
Desejo o teu olhar de outra forma

Forma que tu deseja criar
Com tuas mãos nuas e cruas
Criando o mesmo nú que habita o meu corpo
Por debaixo de panos...

Onde tuas mãos possam alcançar
Carinhosamente tocar,
De forma livre, mas ainda tímida
Curiosidade sublime almejada em mim

Cria de seu encanto, que deseja amar,
Sair das cobertas e não mais acobertar
Aquele teu desejo insano que um dia instiguei
Por te descobrir viva nas quatro linhas

Do salão que hoje ganhou o teu cheiro
Com a qual pintou as paredes
Com as formas do teu corpo
Impressas e vivas, tão vivas

Que busco ser o construtor de mais
E mais, o arquiteto de tua morada
Aquele que irá esfregar em seu peito
O vulgo chamado desejo

Que no meu toque, brasa viva
Marquei em tua pele,
E fiz dela a minha propriedade
Onde tu jamais de outra forma

Prazer igual sentirá...


Magno Pinheiro

13 novembro 2008

Pelo teu toque

Pelo teu toque


Seu toque doce e repentino
Me fez despertar de um sonho
Que sonhei até o momento de te encontrar
Tão vivo fiquei ao te ver

Que desejei nunca mais sonhar
Para somente nos teus braços me findar
Criar um lar, fincado eu teu laço
Que aquece o meu lado

Que não ficou de lado, com o teu despertar
Sei que despertou ao me encontrar
Pois sonho tu eras, até me encontrar
Um ao outro, o outro que completa

Que faz o desejo de procurar
Pelo toque, por um simples toque
De um par de lábios quentes
Sedentos pela saliva, que uma vez morna

Encharca de prazer o desejo do outro
Tão quente, molhado, pulsante, vivo
Faz minhas palavras divagarem
Procurando saber se vão existir

Ou se o sussuro por elas, trocar
Fazer da linguagem uma vez secreta
O teu soar, como um gato que ronrona
E por carinho procura...por você

Que me arranha, me marca
E me delimita como seu território
Separando pelo teu desejo, o prazer
Onde virá mais vezes a instigar

Repetidas vezes a instigar
Quando souber que o meu fôlego
Esse...Já não posso mais segurar
E novamente a linguagem secreta

Ao pé do teu ouvido virei a citar
Lentamente, como aquele que está aprendendo a falar
A língua que você sempre desejou dominar
E que ensinarei, pelo teu toque, toda vez que desejar

Pelo teu toque.


Magno Pinheiro

Viver por ti

Viver por ti


Toda espera, mesmo a dela
Faz com que eu veja nela
Um doce pedaço de mim

Imortalizo, amor mestiço
Me deu as cores que preciso
Teu quadro pintarei em mim

Com essa tela faço dela
Amor em forma de aquarela
Um pôr-do-sol pintarei pra mim

Ah...o amor..

Que descobri em teu abraço
Foi melhor que o espaço
Que a saudade deixou aqui

Não quero viver o amor sem ela...
Se por ela...

Todo o amor que eu senti
Foi só por ela, por ela
Quero ser a cor que pinta
A sua tela, sua tela

Pra que veja que o melhor
É viver por ti.

Magno Pinheiro

12 novembro 2008

Um final só para mim

Um final só para mim


Passos largos, nesses passos
Onde trouxe mais a mim
Seus lábios, de cor de carmim

Seja a rosa, mesma rosa
Cante em verso, rima e prosa
Pro amor não se afastar assim

Que dia é hoje eu já nem sei
Mas o céu não ficou assim
Escuro pedaço de mim

Não quero ver o sol assim
Iluminando estradas sem jardim
Não quero ver você assim

Sem ter você em meu encalço
Peço, rogo em vão por ti
Mais um quando, a memória irá trazer para mim ?

Por onde sei que já passou,
Os passos marcados não vão deixar
De percorrer caminhos, no passado

E hão de voltar a ela, tão bela
Por isso rogo ao Deus dessa novela
Para criar um final só pra mim.


Magno Pinheiro

10 novembro 2008

Palavra nº2

Palavra nº2


Cortado por palavras frias,
Coloco-me no lugar em que deseja trancar
Insanidade impertinente, desejo latente
De vivo esta...vivo a enganar

No teu logradouro, marcado
Rabiscado por tuas leis
Um estranho no ninho
Confinado em um louco momento

Surreal é o engano,
Real é o engano,
De acreditar que somos reis
Mesmo que sem palavras fincamos

Em nosso solo, um estranho desejo
De fugir pelo o que foi por tua palavra
Ditado, marcado, rabiscado em sua mente
O que a palavra fria chegou a cortar

O calor de um momento
Que no meu canto pôs
Sozinho, sem o calor de palavras
Que me fariam te procurar

Frias...
Em algum lugar...
A procurar...
Palavras...


Magno Pinheiro

09 novembro 2008

Palavra

Palavra


Antes de tentar desenhar linhas no infinito,
Vesti minhas asas e cantei minhas palavras
De uma maneira sutil, envolto apenas pelo desejo
De buscar o que estava tão próximo de mim

O gosto por tí, a qual dominei desde o primeiro momento,
E que a mim pertenceria, independente do tempo,
Em que as horas iriam brincar, nas escadas da existência
Onde foi guardado o meu primeiro som

Tão vivo, expansivo, que a mim não deveria guardar,
E ao vento novamente deixei partir,
E com a ajuda daquelas que iriam me ajudar
Novamente as vi partir, duas vezes em meu peito

Senti o fôlego se renovar, e por mais que eu deseja-se
Parar o tempo só para ter o prazer de novamente pronunciar
Ela partia, como um pássaro, contente pela liberdade
Que desde o berço ela nunca deixaria de honrar

E és livre, tão livre que te lembro
Que tudo o que fiz por ti, foi apenas te criar
Em um berço quente, lar gentil, peito amado
Onde se um dias retornar, novamente irá se criar

No infinito,
Nas asas da liberdade,
Palavra, minha cria...
Palavra...


Magno Pinheiro

01 novembro 2008

O Pulsar

O Pulsar


Abro para ti o meu peito,
Deixo pulsar em tuas mãos,
Instrumento com que faz o teu destino
O meu precioso tesouro

Que julgo ser puro,
Intocado pelo desejo de não amar
De não desejar me embriagar
Na altivez do amor

Que me leva para o céu
Que rasga nuvens, palavras, limites
Que me faz conversar com o mar
E que pelo mesmo, sinto o desejo de me levar

Ao infinito espelho, de cor azul
Aonde vi tua alma, ao longe
Procurando a minha e me fazendo
Te procurar, tão viva em mim

Que sinto que o pulsar
Não era o do meu coração
Mas do teu, que ensinava o meu a bailar
No mesmo ritmo, tão compassado, tão amado

E acariciado por horas e horas,
Eternidade que não conhece o fim
Onde o teu nome é tudo, e na ausência se cria o nada
Momento inoportuno onde do peito nasce saudade

Ah ! Saudade...
Saudade do tempo onde eu não sentia saudade
Pois tu eras a dona das horas, das caminhadas
Que me levavam até ti

Com tua voz de anjo,
Melodia sem afonia
Proferida pelo teu instrumento
Que guarda a palavra que me fez abrir

E encaixar em tuas mãos
o pulsar de meu peito
Amo-te...
Dona do meu coração.


Magno Pinheiro