28 fevereiro 2009

O Meu Olhar


No canto de seus olhos
O resgate das memórias
De um tempo em que o brilho
Vinha de mais de um olhar

Que não era perdido,
Era a metade do teu olhar
Fronte a tua fronte
Desejando somente almejar

Terminar com o espaço
Que só existe quando
A nossa alma não vem a se encontrar
Um aceno pela janela de nossa alma

Tão pura e vibrante
Que não desejo me separar
Do que somente desejo
Além do tempo de um olhar

No canto de seus olhos
Viver uma vez mais
Puro e soberano
O meu olhar...


Magno Pinheiro

26 fevereiro 2009

Saudade da Liberdade Sentir

Saudade da Liberdade Sentir


Passos largos, veja
O sol já se esqueceu do amanhã
Andei em direção oposta
Ao caminho que não pude evitar

Aprisionado em minha mente
Saudade, da liberdade sentir
Voando pelas estórias que vivi
Uma situação coberta de palavras

Nada mais que um dia
Dentro de minha mente
Onde não sei como chegar
Somente como ir

E eu só quero saber,
Como eu posso saber
Viver em minha prisão
Sem a liberdade sentir

Fugir, desesperadamente dessa situação
A vida se repete, sequências, palavras
Vida em câmera lenta, cores ofuscantes
Mais uma vez na cela de minha prisão

Nada mais que um dia
Dentro de minha mente
Onde não sei como chegar
Somente como ir

E eu só quero saber,
Como eu posso saber
Viver em minha prisão
Sem a liberdade sentir

E eu não quero negar
O que sempre venho a notar
Uma era nas profundas,
Profundas eras sem um amanhã

Nada mais que um dia
Dentro de minha mente
Onde não sei como chegar
Somente como ir

E eu só quero saber,
Como eu posso saber
Viver em minha prisão
Sem a liberdade sentir

Passos largos, veja
O sol já se esqueceu do amanhã
Da minha prisão vejo a janela
Aonde só a tua luz pode me tocar


Magno Pinheiro

04 fevereiro 2009

Meu Juízo

Meu Juízo


Do teu corpo faço o meu juízo
Corpo culto, vivo, que me faz perguntar
Se vivo pelo teu prazer
Ou se o teu prazer me faz respirar

Mesmo que de uma maneira descompassada
Cada suspiro que vibra do meu peito
Não vê outro desejo se não por ti,
A quem não deixo de venerar

E explorar o teu corpo como meu corpo
Meu campo, meus passos,meus toques
Cada caminho a qual conheço,
E que não desejo me separar

A qual a distância seria um veneno
Minha ausência de ar, ausência do teu perfume
Que entorpece os meus sentidos
E me faz te enxergar

Mesmo com os olhos fechados,
Olhos que te perseguem,
Olhos que te pertencem,
Olhos que de ti não querem se afastar

Do teu corpo faço o meu juízo
Juízo que me falta quando não te tenho
Quando te afastas, e por ventura vem a demorar
Para nos meus braços novamente se aquietar

Do teu corpo faço o meu juízo
Juízo enlouquecedor, onde travo meus desejos
Onde aqui faço o que desejas mesmo quando
Não me pedes, pois no fundo é o que desejas

E desejas, e desejas...
O meu juízo, que no fundo
É que te faz ,o que nos faz
Ser um corpo...


Um corpo só...


Magno Pinheiro

01 fevereiro 2009

Por que está tão só ?

Por que está tão só ?


Por que está tão só ?
Teus olhos enxergam o que querem,
Mas teu peito anseia por mais

Sentimento que sangra
pelas paredes do corpo
Tão interna solidão

Tão eterna solidão,
Em um outro olhar encontrar
Paixão que um dia foi

E que se espera retornar,
No chão deixou, um sinal
Pra não se perder

Caminho que não quer se apagar
Pra que entender ? Perguntas ?
Sentir é mais fácil...amar

Deixe novamente a felicidade estampar
A Janela que um dia refletiu
Um outro olhar, aquele olhar

Onde mesmo a distância
Continua sendo dona
Vem e chama...

Que o olhar volta,
Novamente aonde você deseja,
Em fronte ao teu olhar

Ao único olhar...
Ao único par...
Por que está tão só ?


Magno Pinheiro

29 janeiro 2009

Sopre a noite

Sopre a noite


No momento que vai,

No momento que vem,
Te jurei palavras

Pro tempo fazer,
Pro tempo passar,
Eterno zelo ao viver

Infinito finito
Que dura no passar das horas
Nas horas, contigo me perder

E me achar, no raiar
De um sol que vem vindo
Iluminar o que na noite

Os nossos corpos vieram
A iluminar, duas estrelas
A beira do mar, a beira do mar

Cantiga que marca,
Repete e ecoa,
Voa na mente, veleja no mar

Feliz por dizer,
Palavra no peito
Que não quero deixar de falar

Então vem, aliviar
O que na pele queima
Sopre palavras contra o meu corpo

Acalme o que não quer se acalmar,
Te procurar no viver, calor
Abrasador e vivo, sopre

Sopre a noite de perto pra longe
e o dia de longe, de longe
Pra perto de mim...


Magno Pinheiro

Vem luar

Vem luar


Vem luar, luar no céu
Ser a dona do ar
Me prender, me encantar
Me fazer sorrir, me fazer chorar

Me despertar a emoção
Ser a dona do momento, da noite
Ser a dona da razão
De te olhar, venerar

Encontrar no teu brilho
No teu reinado, a magia do amar
De esperar, novamente
O passar da horas

Para mais uma vez
O meu amor
despertar


Magno Pinheiro

23 janeiro 2009

Me Alimente

Me Alimente


Me alimenta o desejo
Faça juz ao sim
Entregue à carne farta
Sedenta, sem um pingo a mais de suor

Se esgueirando, procurando,
Matar a sede, se embebedando
No suor que parte do meu corpo
Que alivia, e faz pedir mais

Uma vez mais, o mesmo dia a mais,
Uma vez por dia sem o dia terminar
Um dia sem vez de terminar
Um suspiro, onde a palavra não é dona de nada

Que se queira perder
Que não se queira ganhar
Disforme, afônica
O que se deseja falar ?

Nada...se deixe levar
Pura em desejo, forte
Alucinante, insana
Sufocante...

Ah...!

O corpo descansa
Emana cansaço
Devaneios febris
Sorrisos sem início e fim

Fome...
Fôlego...
Me alimente...
Desejo...


Magno Pinheiro

22 janeiro 2009

Em direção ao Todo

Em direção ao todo


Sono, ao inverso
Cores do universo
Em minha janela vejo
Nuvens a esbranquiçar

O barro sem a cor de barro
Que visita o meu céu em formas
Onde a minha imaginação pode voar
E moldar tudo o que eu quis sonhar

Um pouco mais, se deixe levar...

Assopre-me em direção ao todo
Tudo o que eu quis foi sempre estar
Longe e perto do seu mundo vizinho
O que mais esperar se não sonhar ?

Eu sou o que eu desejei
Junto ao céu me deixei levar
Me esculpi em palavras perdidas
Aonde os seus olhos não puderam tocar

Se não o azul, o branco poderia ser
O seu novo quadro de desejos
Aonde nele poderia criar
Com tuas mãos nuas, o que sempre quis

Um pouco mais, se deixe levar...

Assopre-me em direção ao todo
Tudo o que eu quis foi sempre estar
Longe e perto do seu mundo vizinho
O que mais esperar se não sonhar ?

Perto de se levar
Um pouco mais
No universo
Esperando um olhar

Um pouco mais, se deixe levar...

Assopre-me em direção ao todo
Tudo o que eu quis foi sempre estar
Longe e perto do seu mundo vizinho
O que mais esperar se não sonhar ?


Magno Pinheiro

17 janeiro 2009

Um Sereno e Amável Olhar

Um Sereno e Amável Olhar


Aqueles olhos,
Aquele olhar,
Tão transparente
Olhos feitos de vidro

Janelas curiosas
Pares indecisos
Fitam o mundo
À sua maneira

No seu tempo
Na sua vontade
No seu horizonte
À sua maneira otimista

De encarar e ser encarada
De viver e ser vivenciada
E sem querer esconder o seu interior...
Você diz, me decifre

E eu curioso, incentivado
Busquei dentro do teu olhar
A resposta que saciaria tudo o que eu gostaria,
E que era...

Te dizer...
Que desde o encontro dos olhares
O que eu procurei,
O que eu sempre procurei

Foi o seu sereno e amável olhar...


Magno Pinheiro

16 janeiro 2009

Você já...

Você já...

Você já teve a sensação
De andar a sua volta
E se perder em um caminho
Que você mesmo criou ?

Você já sorriu para o espelho
Esperando que aquele sorriso
Fosse compreendido por um outro alguém
E que ele eternamente não viesse a acabar ?

Você já mentiu para sí mesmo
Esperando que os seus sentimentos
Se esquivassem daquilo que você nunca
Mas, nunca desejou sentir ?

Tudo bem, estamos vivos
Não adiantaria negar
Todos já passamos por isso
E nem por isso vivos deixamos de ficar

Você alguma vez já teve a sensação
De acordar sozinho, no escuro de sua mente
E procurou no seu íntimo, a luz
Que a escuridão viria a afastar ?

Você alguma vez já se esqueceu de chorar
Quando percebeu que naquele momento
Tudo o que você precisava era lavar
A cena que os seus olhos não quiseram acreditar ?

Você já olhou para o céu
E percebeu que naquele mesmo céu
O seu outro olhar, um passado olhar
Ainda estaria lá, te esperando retornar ?

Tudo bem, estamos vivos
Não adiantaria negar
Todos já passamos por isso
E nem por isso vivos deixamos de ficar.


Você já...?


Magno Pinheiro

15 janeiro 2009

Coração

Coração


Caminhe para perto do meu peito
Pelo rio vermelho, vitalício,
Rubra vestimenta que adorna as paredes
Fendas por onde se estendem a sua passeata

De importante valor, caminho sem dor
Atino vertiginoso, apertado
Aquecido, acalentado, onde te acalmo
E te vejo por dentro, a velejar

No espaço que fazes de teu espaço
Mapeado pelo desejo de encontrar
Aquele cantinho, teu tesouro
De maior valor que o ouro

Possa algum dia imaginar,
Onde virá a roubar,
O que sempre foi teu
Teu presente, teu bem querer

A tua metade, a sua verdade
A nossa verdade, em uníssono
Ao teu lado bater e proclamar
Coração...Coração...Coração...


Magno Pinheiro

13 janeiro 2009

Veja a noite

Veja a noite


Veja a noite...
Uma beleza negra, auspiciosa
Que caminha por entre dois horizontes
Ostentando um véu de mistérios

Nunca antes sonhados,
Mas imaginados por aqueles
Que se inclinaram a sua beleza
Ao teu reino que pernamece por horas

Escondidas do dia,
Nas horas trançadas
Na metade dos retalhos
Que formam ao longe teu pedaço

De paraíso, velado por uma luz
Pálida luz, que prateia o meu caminho
Que não seria outro, se não te venerar
Eternamente te venerar...

Mesmo ao longe,
A Dama de preto, com o seu sorriso
Só quer me presentear
Veja a noite...


Magno Pinheiro

04 janeiro 2009

Partiu, de mim...

Partiu, de mim...


Ah, como era bom cantar
Pro passado esquecer
E ver o céu brilhar
Bem longe do viver

De histórias que herdei
Poemas que escrevi
Cantei só por cantar
Pra não perder de vez

Aquele teu olhar
Que ao longe fui buscar
Por ter o amor,
Que não sonhei

Vivi assim,
Ao colo teu
Foi bom te ter
Tão doce em mim

Meu céu, meu mar
Criaste em mim
O ardor do amor
Que logo mais

Partiu, de mim...


Magno Pinheiro

18 dezembro 2008

Sinta...

Sinta...


Sinta, o que eu sinto
Quando eu me encareço pelo teu toque
Sempre buscando o teu regorjeio, teu canto
Que desperta aquele instinto

Tão vivo...o meu coletivo insano,
Minha coleção de desejos,
Trancados por uma cela feita de quatro cantos,
Aonde o meu corpo tão egoísta e faminto

Te deseja intensamente, e deseja se fechar
Somente...somente em você...percorrendo, deslizando
Vagueando pelas tuas partes tão quentes
Tão íntimas, tão minhas, no meu egoísmo

Que me dilacera a alma em um devaneio,
Que me incendeia, que me encandeia
Por saber que o que me motiva
É saber que o teu corpo, pertence ao meu...


Magno Pinheiro

15 dezembro 2008

Liberdade

Liberdade


Eu gostaria de poder velejar pelo mar
E prensar a minha sombra contra as nuvens
Moldar o meu universo de idéias,
E me deixar levar, por onde o vento quisesse me guiar

Tão solto, viajando por correntes
E por correntes caminhar, para onde o seu elo
Me levasse, àqueles que na mesma corrente
Viessem a buscar, liberdade, liberdade...

Que o corpo busca, sede insaciável
Fome insaciável, um corpo sem asas
Um caminho para o paraíso, o eterno...
Desejo de voar ao lado de tuas asas

Formando um vasto corpo, um vasto...
Corpo de andarilhos do ar
Andarilhos que vão e que vem
Sem destino certo, a vagar

Pelas linhas do eterno, sem estarem presos
Livres, a busca de respostas, a busca de perguntas
Mas que ao mesmo tempo, livres delas viriam a estar
Livres, como pássaros sem um ninho, livres

Sempre a buscar do néctar da felicidade
Que viria a viciar e momentamente preencher,
E logo mais despertar novamente fome, sede...
Por algo que eternamente vivenciarei

Mesmo com os pés voltados para o céu
Minha morada, e que de cima a abaixo
Viria a te encontrar, sobre os meus olhos
Estendendo as mãos a procura da corrente...

Do elo, que o meu braço viria a se transformar
Quando ao meu lado viestes a ficar
Em busca daquilo que sempre desejamos
E que nunca pararemos de almejar

Liberdade...


Magno Pinheiro

Se eternamente por ti

Se eternamente por ti


Todo corpo feito de pecado,
Molhado, secado, e novamente molhado
Pelo corpo que seca o corpo,
Pelo corpo que molha o corpo

Em eterno alvoroço, em eterno prazer
Dois amantes entrelaçados, ao toque
Ao que é teu, ao que é meu
Ao anoitecer, ao amanhecer

Tempo que aquece e esquece
Onde existe penumbra, sombra
Que perdura, incesantemente
No rastro de luz que o meu olhar alcança

Ao longe e ao mesmo tempo perto
Dos teus olhos, que alcançam o universo
De palavras que só o teu olhar pode passar
Complementando a palavra gêmea

Que desde sempre no meu olhar veio a morar
Sempre a busca daquela metade, tão viva
Mesmo em sonhos, tão viva
E tão viva a morar

No reflexo do meu olhar
Aonde vejo e revejo,
Idealizo, e por ti caio em gracejos
Quando vejo que o pecado seria

Se eternamente por ti
eu não viesse a me apaixonar


Magno Pinheiro

14 dezembro 2008

A quem o desejar...

A quem o desejar...


Minhas palavras não cabem no seu espaço mental
Elas não se retem e transborbam pelos seus olhos...
O transbordar não enche a minha janela
E basta uma palavra uma reles palavra

Para ocupar o meu espaço, meu grandioso espaço
O meu caderno de escritas invisíveis...
Já criou o seu mundo, que não consegue se prender
Nem a paisagem da foto mais linda, que se consome...

Não posso mais te ver
Pois é pequeno por fora
É inexpressivel quando se toca
No momento, no agora, no verbo

Que proferi buscando outro momento
Tão vago, passado, e que enxerguei
Quando procurei pela palavra
Que somente o meu fôlego soube sustentar

No vago espaço do tempo, no meu tempo
Tão pequeno, tão...e só tão...só
Que pendurei uma história nessa janela
Manchada pelo basta que almejei ao olhar

Um quadro de idéias, formas, cores
Maiores e melhores, para mim
Meu egoísmo, que hoje canto
Para a brisa mais suave
...

Levar como despedida

Para quem o desejar...


Magno Pinheiro e Marco Souza

10 dezembro 2008

Moreninha

Moreninha


Moreninha, linda de se ver
Teus olhos são frutos do mais puro desejo
Vivos, marcantes, cambaleantes
De um jeito tão seu

Conduzem para caminhos,
Onde não existe maldade
Pois tu és feita de luz
Que ilumina e transcende

Queima, arde e que de um jeito tão seu
Surpreende, por ser mulher criança
Mulher deusa, mulher que amadurece
O fruto do meu desejo

Aqui no terreno do meu peito,
Vasto campo, teu arrado,
Marcado por você, com tuas passadas
Teu ritmo, flor...

Que guarda junto ao teu perfume,
Junto ao teu cabelo
Com jeito de menina mulher
Que faz da risada marcante

Um canto de veraneio,
Onde alegria, teu recanto
Se transforma na morada daqueles
Que a ti vieram procurar

Tão viva na roda,
Roda da vida não viva
E que saudades vem a deixar,
Quando a tua voz para de ecoar...

No Fundo da roda do meu coração...


Magno Pinheiro

06 dezembro 2008

Foi-se o tempo

Foi-se o tempo


Foi-se o tempo,
Que se deixou levar
Levado, por palavras
Um dia antigo que se passou

No ontem, foi deixado um par...
De idéias, desejos, vontade
Conhecer era o mistério
Mistério que o tempo soube moldar

Com mãos de quem ainda espera encontrar
Respostas, em um toque, em um momento
De desconfiança, cria de um passado incerto
Do que foi resolvido e resolvido deixou de ser

Mas, isso não é certo, ou não seria certo
Dizer que o tempo foi o único a criar
E levar e deixar de formar o que poderia...
Poderia mas não foi, pelo medo de sustentar

Um peso que cansaria o corpo,
Afundaria os passos meio a um sorriso
De quem não sabe se seria certo sorrir
Ou simplesmente vivenciar mergulhado em sentimentos

O que poderia ser, ao lado de dois
Ao lado daquela que poderia ser minha
Minha alegria, minha decepção, meu desejo de criar
Minha palavra, meu abraço, meu afago no peito

Foi-se o tempo, por sermos dois
E no mesmo tempo um tempo em cada tempo
Vivenciado de uma maneira, que quisemos vivenciar
Fugas, desculpas, jogos, tudo o que podia

E o que não podia,
E pelo mesmo motivo
Sem o abraço sincero do outro,
Viemos a ficar

Sem o outro, sozinhos...


Magno Pinheiro

04 dezembro 2008

Medo e Coragem

Medo e Coragem


Tive medo de dizer mentiras,
Tive a coragem para dizer verdades
Em um redemoinho insólito
Minha mente procurou em vão

Situações que poderiam ser
Contadas como linhas enfileiradas
Palavras organizadas, histórias
Livro com cor de vida, saudade

Choro ressentido, que nasceu de um amanhã
Sem um agora, sem nada a contar a mais
Por per sido perdido, por ter se perdido
Em uma confusão que somente eu não poderia sustentar

Com braços frágeis e ressequidos
Pela falta de água que nutria meu corpo
Usada para limpar a estrada que a alma toma
Para a ti chegar, e para ti retornar

Ao menos uma vez, ligeiro, como um pensamento
Que somente o vento entende por ser ligeiro
Desapegado, que vive entre trilhas e esquinas
Caminhos por onde andei, caminho por onde andará

Sem passos fixos, somente saudade
Um ali , um outro ali, e um outro lá
Somente saudades, saudade ligeira
Que passa e não se desgoverna

Nem ao menos titubeia, somente passa,
Nesse redemoinho insólito chamado saudade
Onde ruas possuem nomes, e onde nem ao menos
O meu nome, encontrarei por lá

Tive medo de dizer mentiras,
Tive a coragem de dizer verdades
E mesmo um coração que chora
Não nega...sentir saudades


Magno Pinheiro

03 dezembro 2008

Traços

Traços


E tracejo, por linhas tortuosas
Caminhos, tão longínquos, tão vertiginosos
Que o tempo se distancia do meu espaço
E me faz procurar pelo novo dia

Onde voltei a me perguntar
Se em meu espaço, as horas vieram a contar
Histórias onde tudo era o nada,
E o nada era tudo o que se desejava criar

Fora do esquecer, fora do meu muro
Apelo puro, onde lamentava...um lamento
Que ocupava meu espaço em um abismo
Quadro que esqueci de pintar, sem tinta

Pele seca, sem vida, sem direção
Acima, abaixo, esquerda ou direita
Meros acontecimentos, leves enganos
Aquilo o que foi pensado e dito

Um engano, não seria certo dizer ?
Que tudo o que digo é o que não seria dito
Se meus lábios não selassem o mistério
Que o teu olhar sempre me mostrou

No reflexo que sempre estampou no mar
Refletindo o que tu és, em um momento
Em um mero momento, sem espaço e nem tempo
Aonde fostes, foi, será...mesmo que sem tempo

Espaço que ocupou, mesmo não querendo ocupar
Em um tempo que não saberia contar,
Um vazio, ocupado pelo vazio
No vazio tracejado...

Traços...


Magno Pinheiro

14 novembro 2008

Vulgo Desejo

Vulgo Desejo


Não se afaste mais de mim
Menina, aqui estou, em frente ao teu olhar
Te procurando mesmo em sua frente...
Desejo o teu olhar de outra forma

Forma que tu deseja criar
Com tuas mãos nuas e cruas
Criando o mesmo nú que habita o meu corpo
Por debaixo de panos...

Onde tuas mãos possam alcançar
Carinhosamente tocar,
De forma livre, mas ainda tímida
Curiosidade sublime almejada em mim

Cria de seu encanto, que deseja amar,
Sair das cobertas e não mais acobertar
Aquele teu desejo insano que um dia instiguei
Por te descobrir viva nas quatro linhas

Do salão que hoje ganhou o teu cheiro
Com a qual pintou as paredes
Com as formas do teu corpo
Impressas e vivas, tão vivas

Que busco ser o construtor de mais
E mais, o arquiteto de tua morada
Aquele que irá esfregar em seu peito
O vulgo chamado desejo

Que no meu toque, brasa viva
Marquei em tua pele,
E fiz dela a minha propriedade
Onde tu jamais de outra forma

Prazer igual sentirá...


Magno Pinheiro

13 novembro 2008

Pelo teu toque

Pelo teu toque


Seu toque doce e repentino
Me fez despertar de um sonho
Que sonhei até o momento de te encontrar
Tão vivo fiquei ao te ver

Que desejei nunca mais sonhar
Para somente nos teus braços me findar
Criar um lar, fincado eu teu laço
Que aquece o meu lado

Que não ficou de lado, com o teu despertar
Sei que despertou ao me encontrar
Pois sonho tu eras, até me encontrar
Um ao outro, o outro que completa

Que faz o desejo de procurar
Pelo toque, por um simples toque
De um par de lábios quentes
Sedentos pela saliva, que uma vez morna

Encharca de prazer o desejo do outro
Tão quente, molhado, pulsante, vivo
Faz minhas palavras divagarem
Procurando saber se vão existir

Ou se o sussuro por elas, trocar
Fazer da linguagem uma vez secreta
O teu soar, como um gato que ronrona
E por carinho procura...por você

Que me arranha, me marca
E me delimita como seu território
Separando pelo teu desejo, o prazer
Onde virá mais vezes a instigar

Repetidas vezes a instigar
Quando souber que o meu fôlego
Esse...Já não posso mais segurar
E novamente a linguagem secreta

Ao pé do teu ouvido virei a citar
Lentamente, como aquele que está aprendendo a falar
A língua que você sempre desejou dominar
E que ensinarei, pelo teu toque, toda vez que desejar

Pelo teu toque.


Magno Pinheiro

Viver por ti

Viver por ti


Toda espera, mesmo a dela
Faz com que eu veja nela
Um doce pedaço de mim

Imortalizo, amor mestiço
Me deu as cores que preciso
Teu quadro pintarei em mim

Com essa tela faço dela
Amor em forma de aquarela
Um pôr-do-sol pintarei pra mim

Ah...o amor..

Que descobri em teu abraço
Foi melhor que o espaço
Que a saudade deixou aqui

Não quero viver o amor sem ela...
Se por ela...

Todo o amor que eu senti
Foi só por ela, por ela
Quero ser a cor que pinta
A sua tela, sua tela

Pra que veja que o melhor
É viver por ti.

Magno Pinheiro

12 novembro 2008

Um final só para mim

Um final só para mim


Passos largos, nesses passos
Onde trouxe mais a mim
Seus lábios, de cor de carmim

Seja a rosa, mesma rosa
Cante em verso, rima e prosa
Pro amor não se afastar assim

Que dia é hoje eu já nem sei
Mas o céu não ficou assim
Escuro pedaço de mim

Não quero ver o sol assim
Iluminando estradas sem jardim
Não quero ver você assim

Sem ter você em meu encalço
Peço, rogo em vão por ti
Mais um quando, a memória irá trazer para mim ?

Por onde sei que já passou,
Os passos marcados não vão deixar
De percorrer caminhos, no passado

E hão de voltar a ela, tão bela
Por isso rogo ao Deus dessa novela
Para criar um final só pra mim.


Magno Pinheiro

10 novembro 2008

Palavra nº2

Palavra nº2


Cortado por palavras frias,
Coloco-me no lugar em que deseja trancar
Insanidade impertinente, desejo latente
De vivo esta...vivo a enganar

No teu logradouro, marcado
Rabiscado por tuas leis
Um estranho no ninho
Confinado em um louco momento

Surreal é o engano,
Real é o engano,
De acreditar que somos reis
Mesmo que sem palavras fincamos

Em nosso solo, um estranho desejo
De fugir pelo o que foi por tua palavra
Ditado, marcado, rabiscado em sua mente
O que a palavra fria chegou a cortar

O calor de um momento
Que no meu canto pôs
Sozinho, sem o calor de palavras
Que me fariam te procurar

Frias...
Em algum lugar...
A procurar...
Palavras...


Magno Pinheiro

09 novembro 2008

Palavra

Palavra


Antes de tentar desenhar linhas no infinito,
Vesti minhas asas e cantei minhas palavras
De uma maneira sutil, envolto apenas pelo desejo
De buscar o que estava tão próximo de mim

O gosto por tí, a qual dominei desde o primeiro momento,
E que a mim pertenceria, independente do tempo,
Em que as horas iriam brincar, nas escadas da existência
Onde foi guardado o meu primeiro som

Tão vivo, expansivo, que a mim não deveria guardar,
E ao vento novamente deixei partir,
E com a ajuda daquelas que iriam me ajudar
Novamente as vi partir, duas vezes em meu peito

Senti o fôlego se renovar, e por mais que eu deseja-se
Parar o tempo só para ter o prazer de novamente pronunciar
Ela partia, como um pássaro, contente pela liberdade
Que desde o berço ela nunca deixaria de honrar

E és livre, tão livre que te lembro
Que tudo o que fiz por ti, foi apenas te criar
Em um berço quente, lar gentil, peito amado
Onde se um dias retornar, novamente irá se criar

No infinito,
Nas asas da liberdade,
Palavra, minha cria...
Palavra...


Magno Pinheiro

01 novembro 2008

O Pulsar

O Pulsar


Abro para ti o meu peito,
Deixo pulsar em tuas mãos,
Instrumento com que faz o teu destino
O meu precioso tesouro

Que julgo ser puro,
Intocado pelo desejo de não amar
De não desejar me embriagar
Na altivez do amor

Que me leva para o céu
Que rasga nuvens, palavras, limites
Que me faz conversar com o mar
E que pelo mesmo, sinto o desejo de me levar

Ao infinito espelho, de cor azul
Aonde vi tua alma, ao longe
Procurando a minha e me fazendo
Te procurar, tão viva em mim

Que sinto que o pulsar
Não era o do meu coração
Mas do teu, que ensinava o meu a bailar
No mesmo ritmo, tão compassado, tão amado

E acariciado por horas e horas,
Eternidade que não conhece o fim
Onde o teu nome é tudo, e na ausência se cria o nada
Momento inoportuno onde do peito nasce saudade

Ah ! Saudade...
Saudade do tempo onde eu não sentia saudade
Pois tu eras a dona das horas, das caminhadas
Que me levavam até ti

Com tua voz de anjo,
Melodia sem afonia
Proferida pelo teu instrumento
Que guarda a palavra que me fez abrir

E encaixar em tuas mãos
o pulsar de meu peito
Amo-te...
Dona do meu coração.


Magno Pinheiro

26 outubro 2008

Quanto de mim perdi...

Quanto de mim perdi...


Aquele sussuro repentino
Que me faz te sentir perto de mim
Aquele perfume que não me faz te perder
Menina, tudo o que você deseja se encontra nas 4 linhas

Do amor que sinto por você
Do amor que você sente por mim
E que me faz repetir em minha mente :
"Quanto tempo faz que eu não sei, o que é não te amar"

Então pela eternidade eu decidi,
Não olhar para trás,
Não olhar para onde não encontro o teu corpo
Que procura pelo meu

Como um animal no cio
Procurando saciar-se em meu corpo
Em um momento onde eu não paro de repetir :
"Me faça perder a razão, me controle no seu caminhar"

Cheio de malícia, desejo
Pelo teu beijo, pelo teu anseio
Me faça caminhar, rastejar até você
Te encontrar tão viva querendo a mim

Junto a ti, sempre querendo mais
E mais de mim querendo-te mais
Quebrando regras que não existem
Em meu devaneio, ao pensar...

Quanto de mim perdi...
antes de te encontrar


Magno Pinheiro

24 outubro 2008

Segundos

Segundos


O querer, o poder
Te abraçar nas nuvens com a minha alma
Que só deseja o teu enlace
Que me aperte e não me solte mais

Entrelaço versos, rimas e sons nesse apertar
E expresso palavras em harmonia e amor
Escrevo pensamentos como em um lapso de memória
Do meu interior tatuado de saudades !

Detenho-me a doces recordações
E me envolvo em súplicas de felicidade !
Sinto-me leve, me perco sanando a sensação
Sugando teu sabor sensual, em teus lábios imerso
Uso seu prazer no meu, sedento... sinto-me leve

E que tão leve, solto fico, se esse embalo me levar
À loucura, ao extremo prazer que revigora
Me incendeia, me faz invocar tua brasa
Onde a queimadura seria o prazer de te tocar

Numa lentidão impulsionante que trai seu significado
Acelerando, bem rápido, o íntimo, lascinante do coração
Numa canção de amor tocada
Pelas cordas da natureza...

Silêncio, minha voz se silencia para te ouvir,
falar de amor com gestos...

Que consomem, corroem, dilaceram...
Se no teu peito, meu alento não tocar
Tua pele, vestimenta do prazer, cor de seda
Revigoro meus sentidos, quando perto de ti venho a estar

Lembranças, fantasias!
Rostos que ficam, sorrisos que perduram;
Luzes que não extinguem, momentos, fatos...você.
Tudo passa deixando marcas profundas e indeléveis

Doces recordações ! Meu doce desejo!
Prezo o momento de aguardar
Pelo teu toque, que do torpor irá me retirar
Pelo teu doce encanto, pelo infindável amar


Magno Pinheiro & Sandra Araújo

23 outubro 2008

O Amor é...

O Amor é...


O amor é...
Como um pedaço de sonho
Tão lúcido, tão vivo
Que chego a pensar aonde estou

Se em teus braços,
Ou nos braços do que desejo sentir,
Que vive e me ensina a viver,
Pelos teus beijos

Que unem almas,
Que nos ensina a esquecer preocupações
Que nos ensina, o que é trocar desejos
Afagos, anseios, tudo pelo teu toque

Que cobre o meu corpo de sentimentos,
Arrepio que brota do quebrar do gelo
Que existia sem a tua presença,
Hoje o calor nasceu...

E me aqueceu prontamente,
Sem que exista o medo
De me queimar pelo o que eu desejo sentir
E que tão vívido continuará a ser

Depois de te sentir, pois vivo sempre estará
Em minha memória, em meus desejos
De novamente não adormecer, o que foi despertado
Por mais que eu me esforce

Não é a ti que quero perder
Mas o desejo de ficar só,
E que ele se perca no deserto
Onde deixarei em distantes lembranças

Mas que também marcam o início,
De te ter em meus braços e abraços
Quando hoje proclamei
O que o amor é...

Sentir o que sempre sentirei por você,
O prazer de amar...


Magno Pinheiro

22 outubro 2008

Você Acredita ?

Você Acredita ?


Pequenos impulsos brotam do meu ser
Me levam a loucura,
São donos de um mundo só meu
Onde um espelho não reflete o meu sorriso

Dona loucura, não me diga mentiras
Não posso te suportar mais
Como uma tatuagem em minha mente
Não posso apagar as tuas linhas

Das paredes, cantos, recantos
Onde guardo os teus desenhos
Que fora de um molde,
São os que eu não desejo fitar

Aprisione-me em tuas mentiras
Teu desejo de ver somente o que deseja ver
Ah...como eu juraria verdade sem você !
Mas não posso me despedir do que mora em mim

Eu poderia me desgovernar,
Mas há crença em minha mente,
Onde ainda guardo um pedaço que não nasceu de ti
Me jogue em suas linhas, dona de minha loucura !

Dona de passos desconexos, palavras amorfas
Que destinam o destino, e ao destino...
Sopro o que não entenderia por não julgar
Aonde estou ?! tão confuso, tão insano !

É o gemido que proclama de tua boca
Com o fôlego quase esguio de um peito falido
Sem afago, sem perdão, meu perdão
Não posso mais te aguentar

Você acredita em sua mente ?


Magno Pinheiro

15 outubro 2008

Eu quero estar

Eu quero estar


Uma sombra em nossos passos
uma entidade separada
unida pelo o que me fez pensar
no meu eu, quero te encontrar

Além do que eu possa resolver
não ultrapasso os teus limites
ao meu lado tua silhueta se forma
te aviso, sou um pedaço de sua vida

Aquele que brinca com a sorte
que brinca com a solidão
que te envolve em tudo o que acontece
e no final sou o teu par, verdadeiro par

Observe, estou aqui
pronto para lhe amparar
mesmo sem fé, perdido
sem nenhuma palavra a entregar

Não, eu não tenho vida
apenas sou um entusiasmado
onde minha personalidade se mostra
como um pedaço daquilo que deseja mostrar

Não me abandone em sua mente,
eu te sinto, tão vivo
que não posso ultrapassar
ao seu lado
ao seu lado

Eu quero estar...


Magno Pinheiro

01 outubro 2008

Dia e Noite

Dia e Noite


Dia

Nem todo dia é feito de dia,
tem dias que o dia vai até o meio dia,
e o resto é só melancolia
passatempo onde te encontro, solidão

Que me abraça, me acalenta
me encanta e faz do meu olhar
teu objeto de veneração
teu recanto em meu canto

Canto onde juro melodias sem palavras
que guardadas em meu peito
adormeceram quando vieram a saber
a quem endereçavam solidão

Que tão fria prospera
por não querer me esquentar
no sol do dia que é noite
na noite fria que não tem luar


Noite

Nem toda noite e feita de noite,
tem noites que a noite vai até a meia noite,
e o resto é só diversão
passatempo onde te encontro, amor em forma de paixão

Que arrebata e desespera,
que ascende e lá no alto te espera
com um lenço em cada mão
para o teu caminho atar

Atado, tocado pelo teu carinho
tão tocado e atado me sentindo vivo
e por dentro querendo estar
e por dentro querendo morar

E se atado ao teu peito, ficar
rezarei para o dia, dono do amanhã
que me afague, que me ame e me beije
no encontro das horas

que do dia à noite,
da tristeza a felicidade
irei encontrar

Magno Pinheiro

Visões do que é meu

Visões do que é meu


Não posso deixar o teu rastro
consumir o meu mundo, labaredas que castigam
salientam o calor que guarda em suas palavras
agressividade infantil, egoísmo pueril

Onde em um laribirinto esconde o teu eu
criatura assustadora, dona de verdades
e que só ela pode enxergar,por paredes de vidro
o que vês não pode tocar

Ande a sua volta, seja o seu eixo
crie motivos que me façam fugir
de sua órbita insana, seu pesadelo
seu início, seu fim

Seu eco alardeoso,
chama apenas a atenção de teus ouvidos
cujo a voz corresponde ao teus desejos
de focar no teu peito, um mundo só seu

E por mais dizer, que se encontre na piedade
a serenidade não faria companhia,
pois teu destino ainda está longe de ser
o que um dia os outros desejam de você.


Magno Pinheiro